Um rei submeteu sua corte a uma prova para preencher um cargo importante. Um grande número de homens poderosos e sábios reuniu-se ao redor do monarca.
“Ó vós, sábios”, disse o rei, “eu tenho um problema e quero ver qual de vós tendes condições de resolvê-lo.”
Ele conduziu os homens a uma porta enorme, maior do que qualquer outra por eles já vista. O rei esclareceu:
 
“Vedes aqui a maior e mais pesada porta de meu reino. Quem dentre vós podeis abri-la?”
 
Alguns dos cortesãos simplesmente balançaram a cabeça. Outros, entre os sábios, olharam a porta mais de perto mas reconheceram não ter capacidade de abri-la.
 
Tendo escutado o parecer dos sábios, o restante da corte concordou que o problema era difícil demais para ser resolvido. Somente um único vizir aproximou-se da porta.
 
Ele examinou-a com os olhos e os dedos, tentou movê-la de muitas maneiras e, finalmente, puxou-a com força. E a porta abriu-se.
 
Ela estava apenas encostada, não completamente fechada. E as únicas coisas necessárias para abri-la eram a disposição de reconhecer tal fato e a coragem de agir com audácia.
 
O rei disse:
“Tu receberás a posição na corte, pois não confias apenas naquilo que vês ou ouves; tu colocas em ação tuas próprias faculdades e arriscas experimentar.”
 
O Mercador e o Papagaio – Histórias orientais com as ferramentas em psicoterapia. Nossrat Peseschkian, Papirus Editora, 1992.