Segundo uma história antiga sufista, um cego vagava perdido por uma floresta quando tropeçou, caindo no chão. Ao tatear o chão à sua volta, ele descobriu que havia tropeçado em um aleijado. O cego e o aleijado começaram a conversar, lamentando a sorte de ambos. O cego disse: "Estou vagando por essa floresta nem sei desde quando e nao posso enxergar para encontrar a saída ". Enquanto estavam sentados conversando, derepente o aleijado exclamou: "Já sei! Posso me apoiar em seus ombros e lhe indicar o caminho. Juntos, podemos descobrir como sair da floresta". Segundo o antigo contador de histórias, o cego sombolizava a racionalidade. O aleijado simbolizava a intuição. Nós só encontraremos o caminho para sair da floresta quando aprendemos a integrar os dois.

Segundo Peter Senge – A Quinta Disciplina (2013), depois de muitas décadas sendo oficialmente ignorada, a intuição na gerência vem recebendo cada vez mais atenção e aceitação. Há diversos estudos que mostram que gerentes e líderes experientes se apoiam muito na sua intuição – que eles não tentam resolver problemas complexos inteiramente com base na racionalidade.

As pessoas com altos níveis de domínio pessoal não se programam para integrar razão e intuição. Ao contrário, conseguem essa integração naturalmente – como subproduto de seu comprometimento em utilizar todos os recursos que têm à sua disposição. Não podem se dar o luxo de escolher entre razão e intuição, ou por caminhar com uma única perna ou ver com um único olho.

O bilaterismo é um princípio da composição subjacente à evolução dos organismos avançados. Segundo esse mesmo princípio, não seria possível que razão e intuição também funcionassem em harmonia, permitindo-nos concretizar nossa inteligência potencial?

O pensamento sistêmico pode ser a chave para a interação de razão e intuição. A intuição escapa a compreensão do pensamento linear, com ênfase exclusiva em causa e efeito próximos no tempo e no espaço. Resultado: a maioria de nossas intuições não fazem "sentido" – ou seja, não podem ser explicadas em termos de lógica linear.

“A essência do raciocínio sistêmico está na mudança de
mentalidade, o que significa: ver inter-relações, ao invés de cadeias lineares de causa-efeito, e ver processos de mudança ao invés de instantâneos”.

No mundo globalizado com a implantação de novos modelos de gestão, as organizações de aprendizagem necessitam mudar de mentalidade para obter sucesso empresarial e vantagem competitiva. Isto é, implica em deixar de se verem separadas do mundo para fazerem parte integrante dele. A organização de aprendizagem é um lugar onde as pessoas aprendem a criar sua própria realidade e a mudá-la, fundindo num conjunto coerente teoria e prática.

Segundo Peter Senge – A Quinta Disciplina (2013), raciocínio sistêmico – é o alicerce da organização que aprende. É fundamental que as cinco disciplinas (domínio pessoal, modelos mentais, objetivo comum–visão compartilhada, aprendizado em grupo e raciocínio sistêmico funcionem em conjunto. Este é um grande desafio, pois é muito mais difícil integrar novos instrumentos do que aplicá-los separadamente, mas segundo o autor o esforço traz recompensas.