O problema do elevador lento
Imagine o seguinte: você é proprietário de um edifício de escritórios e os locatários estão reclamando do elevador. Ele é velho e lento, e eles perdem muito tempo esperando. Vários inquilinos estão ameaçando romper o contrato de locação se você não resolver o problema.
Quando consultadas, em sua maioria as pessoas já têm alguma solução: substituir o elevador, instalar um motor mais potente ou, talvez, melhorar o algoritmo que comanda o funcionamento da máquina. Essas sugestões se enquadram no que chamo “espaço de solução”: um conjunto de soluções que partilham hipóteses sobre a natureza do problema — nesse caso, o elevador está lento. Essa formulação é ilustrada a seguir.
 
 
No entanto, quando o problema é apresentado aos administradores do prédio, eles sugerem uma solução muito mais elegante: colocar espelhos próximos aos elevadores. Essa medida simples se mostrou extremamente eficiente na redução das reclamações porque, em geral, as pessoas não se preocupam com o tempo ocioso quando lhes é oferecida alguma coisa muito interessante para admirar — por exemplo, elas mesmas.
 
A alternativa do espelho é particularmente interessante porque, na verdade, não é uma solução para o problema identificado: ele não torna o elevador mais rápido. Mas propõe uma compreensão diferente do problema. […]
Fonte: Thomas Wedell-Wedellsborg
Harvard Business Review Brasil – Abril/2017
 
"Pensar fora da caixa", tenho me deparado com esse termo com uma certa frequência. Buscando entender e/ou decifrar esse "modismo", recorri dentre tantos ganchos o artigo citado acima.
 
Mas o que seria pensar fora da caixa, se vivemos em um mundo cada vez mais robotizado. Se tenho um problema com minha conta bancária ou com a rede telefônica, só para citar dois exemplos, ligo para o 0800…, a caixa é tão fechada que chego a desistir de procurar uma fissura para falar com um atendente. As mensagens eletrônicas na sua maioria são automatizadas (tenho observado que os Bom dia, Boa tarde, Boa noite, nos APPs estão sendo encaminhadas e não mais digitadas). Os algoritimos, cada vez mais complexos e precisos não nos permite sair de dentro da caixa para pensar fora dela, eu acho. 
 
Um exemplo muito interessante me vem a memória nesse momento. Fiquei mais de seis meses tentando falar com o suporte da internet e todos, sem exceção, sempre me diziam as mesmas coisas. Com palavras diferente, é claro, mas com o mesmo significado. A pergunta que não me sai da cabeça é: Será mesmo que as organizações estão preparadas para lidar com a demanda cada dia mais crescente de "pensar fora da caixa"?
 
Creio que não terei uma resposta sensata, por isso, recorro novamente ao meu acervo em busca de uma referência que possa dá-me um apoio sobre o "pensar fora da caixa". Fico feliz em ter a disposição um excelente livro, na minha opinião: Blink – A Decisão num Piscar de Olhos (MALCOLM GLADWELl, 2016).
 
3. Um mundo diferente e melhor
[…]. Blink se concentra nos componentes mais modestos de nossa vida diária,
o conteúdo e a fonte das impressões imediatas e das conclusões que surgem
espontaneamente em nossa mente. […]
página 19.
Vale a leitura, recomendo.
 

No cerne da cultura de toda organização existe um conjunto de normas e valores fundamentais que molda os comportamentos dos membros e os ajuda a entender a organização. 

Às vezes identificar um aspecto diferente do problema produz melhorias extraordinárias e até inspira soluções para problemas que, por décadas, pareciam insolúveis.

O desafio abaixo foi dado a uma turma de mais de 40 alunos pela professora da disciplina de Marketing no curso de graduação de Administração. No primeiro dia de aula após nos cumprimentar ela desenhou alguns pontos no quadro negro e pediu que ligássemos todos os pontos com quatro retas continuamente. Teríamos a oportunidade de cruzar por cima de uma reta somente uma vez. 

 

Logo em seguida ao desafio ela nos deu o texto miopia de marketing. Isso ocorreu em 2005 e até hoje não consegui encontrar um exercício melhor para pensar fora da caixa – minha opinião.